O clique · Equipamento
Câmeras profissionais: as cinco peças que decidem a foto
Brasil · Leitura de 5 minutos

Neste artigo
- O sensor grande resolve às sete da noite, não ao meio-dia
- Visor e foco travam no assunto que anda na sua direção
- Obturador e rajada decidem a sequência, não a foto única
- Construção e vedação valem nos dias em que o corpo trabalha molhado
- A lente é onde o dinheiro rende mais
- As cinco fotos em que o corpo novo não muda nada
Câmera profissional é uma família de corpos, não um selo colado no equipamento. O que existe são peças, e cada peça resolve uma situação bem específica.
Nós separamos o corpo peça por peça e nomeamos, em cada uma, a cena real em que ela decide a foto. No fim vem a lista das imagens em que trocar de equipamento não muda nada.
Nenhum modelo aparece aqui, de propósito. Ficha técnica de corpo envelhece em um ano, e o número que vale pra sua decisão está no manual do fabricante do equipamento que você já tem na mão.
O sensor grande resolve às sete da noite, não ao meio-dia
O sensor é a superfície que recebe a luz. Um sensor de formato completo mede perto de 36 por 24 milímetros. O formato APS-C fica ao redor de 23 por 15 milímetros, o de uma polegada é bem menor, e o de celular, menor ainda.
Área maior significa mais luz por elemento fotossensível. A documentação técnica do sensor descreve o efeito com clareza: quando a luz falta, o arquivo do sensor pequeno acumula granulado na sombra e perde textura antes.
A cena em que a diferença aparece é o aniversário dentro de casa às sete da noite, com lâmpada de teto e criança andando. O sensor grande devolve pele com textura onde o sensor pequeno devolve mancha.
Ao meio-dia na praia, com luz sobrando, os dois arquivos chegam parecidos na tela do celular. Excesso de luz apaga a vantagem do sensor grande.
Visor e foco travam no assunto que anda na sua direção
O visor óptico mostra a cena pelo espelho, do jeito que o olho vê. O visor eletrônico mostra a exposição já aplicada, então você enxerga a foto escura antes de clicar e corrige na hora.
O sistema de foco é a peça que mais separa os corpos. Os mais caros rastreiam o olho e seguram o assunto enquanto ele se aproxima. O manual do fabricante lista quais assuntos o rastreio do seu corpo reconhece.
A cena é a criança correndo a cinco metros, na sua direção, ganhando um metro a cada meio segundo. Com o assunto parado, qualquer corpo acerta. Com o assunto vindo pra cima de você, o corpo antigo entrega dois quadros bons em dez e o corpo com rastreio inverte a proporção.
Obturador e rajada decidem a sequência, não a foto única
Corpos de entrada costumam parar em 1/4000 de segundo, e corpos mais caros seguem até 1/8000. O manual do fabricante traz o limite do seu, e o limite só aperta em pleno sol com a lente bem aberta.
A rajada tem duas partes: quantos quadros por segundo o corpo dispara e por quanto tempo ele sustenta a velocidade antes de engasgar. A ficha técnica publicada pelo fabricante chama a segunda parte de profundidade de memória temporária.
A cena é o salto: skate, cachorro pulando na água, criança na piscina. A diferença entre os corpos não aparece no primeiro segundo de rajada, aparece no terceiro, quando o corpo de entrada trava e o momento passa.
Pra foto única, de retrato a paisagem, rajada profunda não pesa na imagem.
Construção e vedação valem nos dias em que o corpo trabalha molhado
Vedação é borracha nas juntas, nos botões e no encaixe da lente. O manual do fabricante costuma usar a expressão resistente a respingo, e costuma avisar que a proteção só vale com uma lente também vedada montada no corpo.
A cena é a garoa na trilha, a névoa da cachoeira e a areia com vento na praia. Um corpo de policarbonato sem vedação volta da praia com grão de areia dentro do anel de zoom.
Em estúdio, em casa, no aniversário e na rua seca, o corpo de plástico entrega o mesmo arquivo do corpo de magnésio. Vedação é seguro de trabalho, não qualidade de imagem.
A newsletter Fotografia do Dia está em preparação
Deixe seu email e receba o aviso quando o primeiro envio sair.
Entre antes do primeiro envio.
Você só recebe o aviso de lançamento. Cancele quando quiser.
A lente é onde o dinheiro rende mais
Trocar a lente do kit por uma fixa luminosa muda a imagem no primeiro clique. Uma lente que abre em f/2.8 entrega dois pontos de luz a mais que uma que abre em f/5.6, e dois pontos permitem congelar movimento sem levantar tanto a sensibilidade.
A abertura também desenha o fundo. Com a mesma distância e o mesmo enquadramento, a lente aberta separa o assunto da parede atrás dele, e a lente fechada mantém a bagunça da sala em foco.
Os preços são faixa indicativa e regional, e mudam com câmbio e com o mês. Uma fixa luminosa de distância focal normal circula na faixa de R$ 400 a R$ 1.500. Uma zoom luminosa de linha profissional sobe pra faixa de R$ 5.000 a R$ 12.000.
A lente ainda atravessa duas ou três gerações de corpo. O corpo se desvaloriza rápido, a lente fica.
As cinco fotos em que o corpo novo não muda nada
- Retrato ao lado da janela às nove da manhã, com a pessoa a um passo do vidro.
- Paisagem no tripé em f/8, com dois segundos de exposição e nenhum vento.
- Produto em fundo branco, com a luz difusa vindo de cima.
- Foto de família ao ar livre na hora dourada, meia hora antes de o sol sumir.
- Qualquer imagem que termina com 1080 pixels de largura numa rede social.
Nas cinco, o ajuste que muda a foto continua sendo a direção da luz, a distância e a altura da câmera. Compre lente antes de corpo, e compre corpo novo quando a cena que você fotografa toda semana estiver descrita nas quatro primeiras seções deste texto.
Veja também
Fotos profissionais: o que entra no pacote e a faixa de preço
Fotografia do Dia está chegando
Deixe seu email e receba o aviso quando o primeiro envio sair.
Entre antes do primeiro envio.
Você só recebe o aviso de lançamento. Cancele quando quiser.