O clique · Enquadramento

Foto de animais: a velocidade de obturador por comportamento

Por Redação Fotografia do Dia · Brasil · Leitura de 11 minutos

Tira de teste com faixas de exposição do claro ao escuro deitada na bancada, sob a luz de segurança vermelha

Foto de bicho falhada volta quase sempre com o mesmo defeito: o corpo do animal nítido e a cabeça borrada. A causa raramente é falta de paciência, e quase sempre é a velocidade de obturador escolhida.

O segundo defeito é a altura. Foto tirada em pé, de cima pra baixo, mostra o chão da sala e o topo da cabeça, e o animal perde a cara que você queria guardar.

Nós separamos o assunto por comportamento. Cada situação tem uma faixa de velocidade e uma altura de câmera, e as duas se decidem antes do bicho entrar em quadro.

Animal parado ou dormindo: 1/125 e a lente no chão

Gato dormindo, cachorro deitado e coelho parado se resolvem com 1/125 de segundo. A velocidade segura o tremor da mão e ainda sobra luz pra fechar um pouco o diafragma.

Aqui a altura decide mais que o obturador. Apoie a câmera no chão, com a lente entre vinte e trinta centímetros do piso, na linha do olho do animal. O piso sai do fundo, a parede entra, e o bicho deixa de parecer visto de cima.

Animal dormindo continua se mexendo. O flanco sobe com a respiração e a orelha vira sozinha. Dispare três quadros em vez de um e escolha depois.

Brincadeira dentro de casa: 1/250 e a janela como fonte única

Dentro de casa a luz é pouca e o movimento é curto e imprevisível: o pulo pro brinquedo, a arrancada pelo corredor, a mordida no ar.

Trabalhe em 1/250 de segundo e leve a brincadeira pra um passo e meio da janela, com a luz batendo de lado. Desligue a lâmpada de teto, que mistura cor com a luz do dia e deixa o pelo claro amarelado.

Deixe a sensibilidade em automático com teto definido por você, e o manual do fabricante mostra onde configurar o teto. Sombra com granulado se conserta na edição; cabeça borrada, não.

A altura muda com o tamanho do bicho: sente no chão e mantenha a câmera na altura do peito do animal, um pouco abaixo do queixo.

Corrida em parque ou praia: de 1/1000 pra cima

Cachorro solto muda de direção a cada dois segundos. 1/1000 de segundo congela o corpo inteiro, e 1/2000 congela também a orelha em movimento e a água que salta da pata.

Sol aberto entrega luz de sobra pra essas velocidades. Use o modo de prioridade de obturador, marcado S ou Tv no seletor, e deixe o equipamento escolher o diafragma sozinho.

O foco contínuo, chamado AF-C ou AF servo no manual do fabricante, mantém o assunto travado enquanto ele se aproxima. O foco simples trava uma vez e erra o resto da corrida.

Agache até a altura do joelho, entre quarenta e sessenta centímetros do chão. O horizonte entra atrás do animal e a corrida ganha velocidade dentro da imagem.

Uma escolha de posição vale mais que a perseguição: em vez de correr atrás, marque o ponto por onde ele vai passar, foque ali antes e espere o bicho chegar no seu enquadramento.

Bicho arisco e animal de rua: 1/500 a seis passos de distância

Gato de rua, ave em praça e cachorro que não conhece você não deixam aproximar. A distância de fuga muda de bicho pra bicho, e quem fotografa fauna urbana respeita o primeiro sinal: orelha virada pra trás, corpo tenso, cabeça baixa.

Fique a seis passos, algo perto de quatro metros e meio, e use a lente mais longa que você tiver. 1/500 de segundo cobre o movimento de cabeça, que é o que sobra quando o corpo está parado.

Baixe o corpo antes de levantar a câmera. Agachar encolhe a sua silhueta e compra o segundo que faltava pro clique.

Comida como atrativo tem limite claro: alimentar animal de rua muda o comportamento dele com todo mundo depois. Fotografe o bicho como ele está, na luz que existe.

A newsletter Fotografia do Dia está em preparação

Deixe seu email e receba o aviso quando o primeiro envio sair.

Entre antes do primeiro envio.

Você só recebe o aviso de lançamento. Cancele quando quiser.

O foco mora no olho, não no focinho

O focinho é a parte mais próxima da câmera, e o foco por área ampla trava nele sozinho. Com o diafragma bem aberto, a profundidade de campo tem poucos centímetros, e o olho fica de fora.

Selecione ponto de foco único e coloque o ponto no olho mais próximo da câmera. Se o corpo tiver detecção de olho de animal, o manual do fabricante indica como ligar, e o modo precisa estar em animal, não em pessoa.

Com focinho comprido, de pastor a galgo, feche o diafragma um ponto e meio pra trazer olho e focinho pro mesmo plano de nitidez. Perde-se fundo desfocado, ganha-se a cara inteira.

Por que o olho do bicho acende verde no flash

O olho humano sai vermelho no flash e o do cachorro sai verde ou amarelo brilhante. A diferença tem uma causa anatômica, e ela explica também por que o gato enxerga melhor que você no escuro.

Muitos animais têm atrás da retina uma camada refletora chamada tapete lúcido, descrita em qualquer manual de anatomia veterinária. Ela devolve a luz que atravessou a retina sem ser absorvida, dando à célula sensível uma segunda passagem pelo mesmo feixe. O ganho de visão noturna é real, e o preço na foto é uma lanterna acesa dentro do olho quando o flash dispara no eixo da lente.

O reflexo vermelho da foto humana tem outra origem: sem a camada refletora, o que volta é a cor dos vasos do fundo do olho.

A correção é geométrica, e não de menu. Tire a fonte de luz do eixo da lente. Um flash externo com a cabeça apontada para o teto branco resolve, e a claridade da janela resolve melhor ainda.

Duas saídas quando só existe o flash embutido. Fotografe com o bicho olhando levemente para o lado, e não direto para a lente, o que já tira o feixe do caminho de volta. Ou acenda a luz do ambiente antes: com a pupila mais fechada, a área refletora exposta encolhe e o brilho perde força.

Trinta segundos de preparo antes de chamar o bicho

Animal não espera enquadramento. Quem prepara a cena antes de chamar volta com foto, e quem chama primeiro corre atrás do bicho pela casa.

  • Limpe o fundo. Tire a mochila do sofá, a tigela do chão e a roupa da cadeira. Fundo bagunçado é o defeito que mais elimina foto boa de bicho.
  • Escolha o ponto de luz. Marque onde a claridade da janela chega de lado e leve a brincadeira para lá, em vez de fotografar onde o animal já está.
  • Pré-foque no ponto de passagem. Aponte para o lugar por onde ele vai passar, trave o ajuste e espere. Perseguir o assunto com a câmera custa os dois segundos que decidem a foto.
  • Deixe a velocidade escolhida antes. Parado, 1/125. Brincadeira dentro de casa, 1/250. Corrida em campo aberto, 1/1000 para cima.
  • Chame alguém para ajudar. Uma pessoa com o brinquedo ou o petisco atrás da sua cabeça produz a orelha em pé e o olhar na direção da lente.
  • Desça antes de disparar. A altura do olho do animal é a decisão que separa registro de retrato, e ela é gratuita.

Cada bicho com a sua régua

Cachorro. Responde a nome, a brinquedo e a barulho novo, nessa ordem de eficiência, e o efeito de cada estímulo dura poucas repetições. Guarde o barulho novo para o último quadro da sequência.

Gato. Não responde a chamado, responde a movimento lento e a lugar alto. A foto sai melhor esperando ele se acomodar na janela do que tentando dirigir a cena. Varinha com penas rende a orelha em pé, e o quadro pede 1/250 mesmo dentro de casa.

Ave em gaiola ou em praça. O movimento de cabeça é rápido mesmo com o corpo parado, então 1/500 é o piso. Contra o céu claro, compense mais 1 ponto ou a ave sai como silhueta escura.

Cavalo e animal grande. Recue e use lente longa: de perto, a distância entre focinho e olho deforma a cabeça. A altura certa fica na linha do olho do animal, o que costuma significar câmera acima da sua cabeça, com os braços esticados.

Peixe em aquário. Encoste a lente no vidro para matar o reflexo, desligue a lâmpada do ambiente e mantenha a luz de dentro do aquário como fonte única. Flash apontado para o vidro devolve um espelho branco.

Pelo preto contra fundo escuro: o fotômetro mente

Cachorro preto em sofá escuro é a cena que mais volta cinzenta. O medidor calcula qualquer cena pra um cinza médio, clareia tudo, e o pelo preto perde textura no caminho.

Compense um ponto pra baixo e o preto volta a ser preto. A sombra ganha granulado se você levantar demais a sensibilidade, então abra o diafragma antes de subir o número.

Separação é a outra metade do trabalho. Deixe a luz da janela chegar de lado e um pouco por trás do animal, e o contorno do pelo acende e descola do fundo.

Fundo claro resolve na origem: leve o bicho preto pra parede clara ou pro gramado no fim da tarde. A velocidade certa e a altura do olho são o ajuste que muda a foto de animal, e trocar de câmera com o bicho contra o sofá escuro não muda nada.

Perguntas frequentes

Qual velocidade usar para fotografar cachorro correndo?

1/1000 de segundo congela o corpo inteiro e 1/2000 congela também a orelha e a água que salta da pata. Use o modo de prioridade de obturador, marcado S ou Tv, com foco contínuo, e marque o ponto de passagem em vez de correr atrás.

Como fotografar animal preto sem perder o pelo?

Compense um ponto para baixo, porque o medidor tenta transformar a cena inteira num cinza médio e clareia o preto. Depois trabalhe a separação: luz de janela chegando de lado e um pouco por trás acende o contorno do pelo e descola o animal do fundo.

Por que o olho do meu cachorro sai verde na foto?

Por causa do tapete lúcido, a camada refletora atrás da retina que devolve a luz e melhora a visão noturna do animal. O flash no eixo da lente transforma essa camada em lanterna. Tire a luz do eixo, aponte o flash para o teto ou use claridade de janela.

Onde colocar o ponto de foco em bicho?

No olho mais próximo da câmera, com ponto único selecionado. O foco por área ampla trava no focinho, que é a parte mais perto da lente, e com diafragma aberto o olho fica fora da faixa nítida. Em focinho comprido, feche um ponto e meio.

Qual a melhor altura de câmera para foto de pet?

A linha do olho do animal. Para gato e cachorro deitado, a linha cai perto do chão, com a câmera apoiada, entre vinte e trinta centímetros. Foto tirada em pé mostra o piso e o topo da cabeça, e o bicho perde a expressão.

Como fotografar animal de rua sem assustar?

Mantenha seis passos de distância, use a lente mais longa que tiver, agache antes de levantar a câmera e recue ao primeiro sinal de tensão: orelha para trás, corpo rígido, cabeça baixa. Comida como atrativo muda o comportamento do animal com todo mundo depois.

Dá para fazer foto boa de pet com celular?

Dá com bicho parado ou em brincadeira curta perto da janela, com a lâmpada do teto desligada. O celular perde na corrida em campo aberto, onde faltam alcance e foco contínuo, e perde de novo com pouca luz, quando a velocidade cai e a cabeça borra.

Fotografia do Dia está chegando

Deixe seu email e receba o aviso quando o primeiro envio sair.

Entre antes do primeiro envio.

Você só recebe o aviso de lançamento. Cancele quando quiser.