O clique · Luz

Foto de comida: a luz vem da janela atrás do prato

Brasil · Leitura de 5 minutos

Bandeja rasa com líquido parado e uma prova submersa até a metade, reflexo vermelho na superfície e fundo escuro

Comida fotografada de frente, com a luz saindo de trás da câmera, chega chapada. O molho perde o brilho, o vapor some e a fatia vira desenho plano.

A luz que dá volume na comida vem de trás do prato. Ela atravessa o vapor e o líquido e acende a borda de tudo que estiver na mesa. Nós montamos a cena contra a janela e corrigimos a frente escura com uma folha de papel branco.

Resolvida a luz, sobra a altura da câmera, e ela muda por tipo de prato. Sopa pede uma altura, sanduíche pede outra, copo pede uma terceira.

A janela atrás do prato e o papel branco a 40 centímetros

Posicione a mesa de forma que a janela fique atrás do prato, entre dez e onze horas no relógio imaginário visto de cima. A câmera fica do lado oposto, olhando na direção do vidro.

A luz que atravessa a cena desenha a borda do copo, o vapor da sopa e o brilho do molho. A prática corrente em estúdio de fotografia gastronômica é exatamente essa: o assunto entre a fonte de luz e a câmera.

O preço do contraluz é a frente do prato apagada. A correção custa uma folha de papel branco tamanho A3, em pé, do lado da câmera, a quarenta centímetros do prato. Aproxime dez centímetros por vez e pare quando a sombra da frente abrir sem desaparecer.

Evite sol direto batendo na comida, porque a sombra endurece e o branco do arroz estoura. Com o sol entrando na janela, prenda uma folha de papel manteiga no vidro e a luz vira difusa.

O contraluz engana o medidor, que enxerga a janela clara e escurece o prato. Compense de dois terços a um ponto pra cima e confira o histograma antes de montar o prato seguinte.

Sopa e prato fundo pedem a câmera a 90 graus

Sopa, caldo, açaí na tigela e salada de pote guardam a informação na superfície. A parede da tigela esconde o conteúdo em qualquer altura baixa.

Suba a câmera até 90 graus, direto de cima, com a lente paralela à mesa. A tigela vira um círculo limpo e a colher entra como diagonal, dando direção ao quadro.

A altura de topo traz um problema próprio: a sombra do fotógrafo. Mantenha a janela atrás do prato, o corpo fora do caminho da luz e o papel branco na borda de baixo do enquadramento.

Vapor aparece melhor contra fundo escuro. Uma bandeja escura embaixo da tigela clara resolve o contraste sem acessório nenhum.

Prato raso e massa: a câmera a 45 graus

Prato raso, massa, risoto e carne com guarnição têm altura pequena e desenho no topo. A 90 graus a comida vira mancha; na altura da mesa, a borda do prato cobre o recheio.

Quarenta e cinco graus mostra o topo e preserva o volume. É a altura em que a pessoa sentada vê o próprio prato, e a familiaridade da cena faz metade do trabalho.

Mantenha a câmera a sessenta centímetros do prato e feche o enquadramento aproximando o corpo, nunca com o zoom digital do celular, que só corta pixels.

Gire o prato em vez de girar a câmera. A peça de destaque, a fatia de carne ou o camarão, sobe pro terço superior do quadro e recebe o brilho do contraluz.

Sanduíche e hambúrguer se fotografam na altura da mesa

Camada é informação lateral. Pão, carne, queijo derretido e folha verde só existem em vista de perfil.

Baixe a câmera até dez a quinze graus acima da mesa, quase no nível do tampo, com a lente na altura do meio do sanduíche. As camadas ficam paralelas à borda do quadro e a pilha aparece inteira.

Nessa altura o fundo entra em cena. Use uma parede lisa a um metro de distância pra deixar o fundo fora de foco, e mantenha a janela atrás pra acender a borda do pão.

Queijo escorrido e vapor duram pouco. Deixe enquadramento e exposição prontos com um sanduíche de ensaio e monte o final só na hora do clique. Estúdio de gastronomia trabalha com duas versões do mesmo prato pela mesma razão.

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Bebida em copo transparente: 20 graus acima da borda

Líquido em copo transparente vive da luz que passa por dentro. Com a luz de frente, o copo vira espelho e devolve o reflexo da sala inteira.

Coloque o copo contra a janela e a câmera vinte graus acima da borda, o suficiente pra ver um pouco da superfície do líquido sem perder a lateral. Suco, cerveja, vinho e café gelado ganham cor no mesmo movimento.

Fundo escuro atrás do copo reforça o contorno. Um cartão preto encostado no vidro, atrás da bebida, corta a luz do centro e deixa só a borda brilhando.

Gelo e espuma têm minutos de vida. Fotografe a bebida por último, com a cena já ajustada em um copo vazio, e sirva na hora do disparo.

A ordem de montagem da mesa em cinco minutos

Primeiro a janela, e a mesa encostada nela. Depois o prato, girado até o destaque olhar pra luz. Em seguida o papel branco a quarenta centímetros, aproximado dez a dez. Só então a altura da câmera, escolhida pelo tipo de prato. O clique é o último passo, e o mais barato de todos.

A direção da luz e a altura da câmera são o ajuste que muda a foto de comida. Louça nova e filtro de saturação, com a janela nas costas do fotógrafo, não mudam nada.

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