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Foto corporativa: as quatro variáveis que travam o retrato do time
Brasil · Leitura de 5 minutos

Neste artigo
Um time fotografado no mesmo dia ainda pode parecer vindo de quatro empresas diferentes. Na página de equipe os retratos aparecem lado a lado, e a comparação acontece antes de qualquer leitura de nome ou cargo.
O que quebra a fileira raramente é a qualidade de cada foto isolada. São quatro variáveis que escaparam entre uma pessoa e a seguinte: o tom do fundo, a altura da câmera, a distância até o assunto e a expressão pedida.
Retrato corporativo é trabalho de repetição. A prática corrente em sessão de time é fechar a configuração na primeira pessoa e não mexer mais nela, com faixa indicativa de R$ 90 a R$ 300 por pessoa em sessão fechada de dez retratos ou mais, variando por região.
Fundo e cor: o mesmo cinza precisa continuar o mesmo cinza
O fundo não tem tom fixo. Ele clareia ou escurece conforme a distância entre a pessoa e a parede, porque parte da luz que bate no assunto vaza para trás e volta.
A conta é simples de observar: alguém a 80 centímetros da parede devolve um cinza visivelmente mais claro que alguém a 2 metros, com a mesma parede e a mesma lâmpada. Numa fileira de retratos, um cinza claro ao lado de um cinza médio lê como duas sessões distintas, e o olho percebe a quebra antes de identificar a causa.
O ajuste é marcar 1,5 metro entre a pessoa e o fundo com fita no chão e não mexer na exposição depois da primeira pessoa. Roupa escura em cima de fundo escuro apaga o contorno do ombro, então avise o time do registro de roupa antes do dia.
Altura de câmera: 5 centímetros decidem quem parece chefe
Com a câmera acima da linha dos olhos, o rosto se inclina para cima, o queixo afina e a pessoa encolhe no quadro. Abaixo da linha, o efeito inverte: o queixo alarga, a base do nariz aparece e a pessoa cresce.
Numa página com doze retratos, quem foi fotografado de baixo parece maior que o resto do time, sem que ninguém saiba apontar a razão. A leitura de hierarquia nasce da altura da câmera, e não do cargo escrito embaixo.
O ajuste tem duas partes. A lente fica na altura dos olhos de cada pessoa, o que exige subir ou descer a coluna do tripé a cada troca. E a câmera nunca inclina para compensar diferença de altura, porque inclinar reintroduz exatamente a distorção que a subida do tripé resolveu.
Distância focal e distância física: 2,5 metros marcados no chão
Duas grandezas costumam ser confundidas. A distância focal escolhe o quanto entra no quadro. A distância física entre câmera e pessoa escolhe a proporção do rosto, e a documentação técnica de lente descreve o efeito como perspectiva.
Um retrato feito a 1,2 metro engorda o nariz e recua as orelhas. O mesmo rosto a 2,5 metros aparece com a proporção próxima da que o olho enxerga de perto numa conversa. Trocar de lente sem sair do lugar não corrige nada: a proporção depende só de onde os pés do tripé estão.
O ajuste é fita no chão a 2,5 metros e uma focal equivalente entre 85 e 105 mm, que a essa distância fecha em meio busto. Pessoa mais alta pede tripé mais alto, nunca um passo atrás.
Quando a marca do chão escapa, o resultado é visível na fileira: um dos retratos entrega um rosto de proporção diferente e parece contratado à parte.
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Expressão e enquadramento: a mesma margem acima da cabeça
O enquadramento é a variável mais fácil de travar e a mais esquecida. Se um retrato tem folga larga acima da cabeça e o vizinho tem a cabeça encostada na borda, a grade da página desalinha mesmo com todos os quadros do mesmo tamanho.
Fixe três coisas: o corte na mesma altura do peito, os ombros girados uns 30 graus em relação à câmera e o olhar direto na lente. Enquadre uma vez, anote a marca e repita.
A expressão precisa da mesma disciplina. Escolha uma instrução única, dita em voz alta para todo mundo, do tipo boca fechada com o canto levantado ou sorriso aberto com dentes. Um sorriso largo ao lado de uma expressão neutra lê como diferença de posição na empresa, e não como estilo pessoal.
Deixe o time saber o que vai ser pedido antes da vez de cada um. Quem chega sabendo a instrução resolve o retrato em cinco minutos, e a sessão de dez pessoas cabe em uma manhã.
O que quebra em seis meses, quando entra gente nova
A padronização morre na contratação seguinte. Outra pessoa fotografa, em outra sala, com outra luz, e o retrato novo entra na fileira gritando.
A defesa é uma ficha de reprodução escrita no dia da sessão original, com a referência de cor do fundo, a distância da pessoa até a parede, a altura da lente medida do chão, a focal usada, a marca de distância, a posição e a altura de cada luz, a instrução de expressão e o ponto de corte. Guarde também o papel de fundo, porque cinza de fabricante diferente não bate.
Retrato avulso para quem chegou depois custa mais por cabeça que a diária do time, em faixa indicativa de R$ 300 a R$ 900 por pessoa. É o preço de manter a fileira inteira.
O ajuste que muda o retrato corporativo é a fita no chão a 2,5 metros somada à lente na linha dos olhos, repetidas pessoa por pessoa sem exceção. Trocar de câmera entre uma contratação e a próxima não muda nada, desde que a ficha seja seguida. Nós travamos as variáveis. Você repete.
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